“O certo é Polaco, e não Polonês!”

Esta frase, do título acima, é a que mais ouvi do jornalista paranaense, Ulisses Iarochinski. Ele já enfrentou muitas polêmicas com descendentes de imigrantes, que discordam disso.

Mas esta convicção em sua personalidade é uma característica antiga. Ele já gostava de defender enfaticamente as suas visões, desde que o conheci em 1975, na antiga ETFPR, Escola Técnica Federal do Paraná, hoje UTFPR.

Veja abaixo a justificativa do jornalista:

“Em 1927, em uma recepção ocorrida, no Consulado Geral da Polônia, em Curitiba, para o embaixador da França, teria havido sugestão do alto funcionário francês para que se trocasse o gentílico “polaco” para designar os nascidos e os imigrantes da Polônia desde 22 de abril de 1500, no Brasil, conforme atesta toda a literatura brasileira daqueles quatro séculos para o afrancesado termo “polonês”.

A razão para a troca? Uma máfia judaico-polaca chamada Warszawa (que trocaria seu nome nos anos 40 para Zvi Migdal) composta por rufiões, proxenetas e cafetões que faziam comércio de jovens judias da Europa do Leste para os prostíbulos de Buenos Aires, leiloavam suas esposas no Largo da Carioca, no Rio de Janeiro, para as casas de madame.

Como a maioria desta jovens enganadas eram loiras de olhos azuis, tal qual as polacas imigrantes do Sul do país, logo a sociedade carioca associou a palavra polaca à puta.E foi assim, que o gentílico, tornou-se motivo de chacota, agressão, discriminação contra os católicos imigrantes vindos da Polônia. E aí daquele que ousasse discordar, era perseguido, policiado.

Introjetaram tanta vergonha no termo, que acabaram por concordar com a discriminação às judias que tiveram que fazer seus próprios cemitérios no Rio de Janeiro (Inhaúma), Santos (Cubatão) e São Paulo (Bom Retiro) pois os israelitas não aceitavam aqueles restos mortais, e os católicos, protestantes não as aceitavam nos cemitérios municipais.Aqueles das colônias que haviam ascendido à elite, sentiam-se envergonhados pelo termo jocoso e pejorativo.

Muitos voltaram a usar os gentílicos das potências invasoras de sua terra natal. Preferiam serem reconhecidos como austríacos, russos e alemães, a ostentarem sua verdadeira origem polaca.Poderiam afrontar e defender seu gentílico pátrio, mas optaram pela sugestão do francês. Interessante notar as publicações (jornais, livros, discursos) que até então vinham grafados com os termos, polaco, polaca, polacos, passaram a polonez (com Z).

Dos 8 Estados lusófonos e mais 5 ou 6 regiões do mundo onde se fala a língua portuguesa, o único país que usa o termo polonês é o Brasil.Por que será? Vergonha, falta de coragem para se reconhecer como polaco? Tudo isso e mais o preconceito latente que domina as ideologias conservadoras.

Além, é claro! Do politicamente correto importado dos “States” que trocou favela por “comunidade”. Como se isso tivesse mudado a situação social dos favelados.Se polaco é pejorativo para alguns, polonês é preconceituoso para tantos outros.Afora isso, “Se não fosse a França, a história do Brasil, com certeza, seria contada de uma outra maneira. Pode se dizer que a cultura e a sociedade brasileira são em grande parte frutos do pensamento francês.”

*Resumo apresentado por Ulisses Iarochinski em sua  dissertação do mestrado em Cultura Internacional pela Universidade Jagiellonski de Cracóvia, Polônia.

Recepção aos calouros na antiga ETFPR

Na época em que chegou a capital, Ulisses vinha de sua cidade, Telêmaco Borba, onde foi radialista desde os 14 anos, trabalhando ao lado de um locutor, artista de circo e compositor, que criou a famosa música “POEIRA“, Serafim Colombo Gomes, apelidado de “Goma”. Esta composição venceu o “Primeiro Festival de Música Sertaneja da Rádio Nacional de São Paulo”. Mais tarde Ulisses substituiu o compositor na apresentação do programa “Alegria do Sertão”, na Rádio Monte Alegre, de Horácio Klabin.

Ulisses teve um começo extremamente difícil e traumático no interior, pela morte de seu pai, que foi assassinado ainda na infância dele. A mãe teve que criar sozinha dois meninos.

Mas ele teve força e aprendeu a enfrentar as adversidades. Em Curitiba passou na seleção rigorosa da ETFPR da época, e foi cursar Telecomunicações”, ao mesmo tempo em que era o mais dedicado aluno e colaborador de José Maria Santos, o grande nome do teatro paranaense.

Na época os colegas diziam: “O Ulisses no palco é imbatível”. E realmente era. Quando interpretou um velho russo teimoso, na peça “Os Pequenos Burgueses” ganhou o apelido de “velho”, mais pela personalidade forte que já tinha na época, do que pelo personagem, diziam os amigos brincando.

Infelizmente para o teatro paranaense da época, ele se afastou dos palcos ao se formar em Jornalismo na Universidade Federal do Paraná, no início dos anos 1980.

Começou a trabalhar como locutor e repórter na antiga Rádio Cidade AM, que na época era a única com um bom jornalismo local. De lá foi para a televisão, começando pela TV Iguaçu. E depois coordenou o jornalismo da TV Independência, que estava no início.

Foi também coordenador da Rádio Holanda Internacional na Europa, e Coordenador do Programa Nacional de Segurança da Volvo. Mas a descrição mais completa segue abaixo, com dados localizados em algumas fontes.

Concluindo: Aprendi muito com este colega de faculdade, principalmente sobre o rádio. Com o conhecimento que ele tinha de teatro, também me ensinou a respiração, para não perder o folego, e ainda sobre a convicção no microfone, ritmo e dicção. E também aprendi a corrigir o meu forte sotaque do interior, que prejudicaria a minha carreira no rádio e televisão em Curitiba. Também me ajudou a encontrar trabalho, quando eu ainda estava na faculdade.

Ulisses foi um grande orientador e incentivador, que tive a sorte de ter como mentor profissional, no início dos anos 1980.

José Wille

Trajetória de Ulisses Iarochinski:

Ulisses Iarochinski é um autêntico montealegrense. Natural da Vila Operária em Harmonia, na Fazenda Monte Alegre, Distrito de Ventania, então município de Tibagi é filho de Cassemiro (Kajo) Iarochinski (assassinado e enterrado no Cemitério de Harmonia) e Eunice Pereira Iarochinski.


Neto dos polacos Bolesław Jarosiński e Paulina Hazelski-Jarosiński pelo lado paterno e dos mineiros Honorato Pereira da Silva e de Maria Silveira Pereira da Silva pelo lado materno.


Estudou no Jardim de infância de Harmonia e na Escola Paroquial da Cidade Nova, onde também foi aluno do Colégio Wolf Klabin e da primeira turma do curso técnico de eletricidade da Escola Senai, onde foi o orador na formatura dos quatro cursos da instituição.


Em Curitiba se formou técnico em telecomunicações pelo CEFET-PR e foi graduado bacharel em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná.


Estudou mestrado em Cultura Internacional e doutorado em História pela Universidade Iaguielônica (Uniwersytet Jagielloński) de Cracóvia, na Polônia. Especialista em Comunicação Audiovisual pelo IORTV – Instituto Oficial de Radio y Televisión de Madrid, Espanha e em Gereciamento de Sistemas de Trânsito pelo VTI – Universidade de Linköping, Suécia.

Fala e escreve em cinco idiomas.
Foi chefe do departamento brasileiro da Rádio Nederland – a rádio internacional da Holanda, em Hilversum, Holanda e correspondente internacional, na Europa, do jornal O Estado de São Paulo, da TV Bandeirantes e do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) e fez estágios na Rádio Exterior de Espanha e TVE – Televisión Española”.


Começou a trabalhar no rádio aos 14 anos de idade, na rádio Monte Alegre, de Telêmaco Borba. Em Curitiba, trabalhou nas rádios Colombo, Cidade, Clube FM, CBN e Barigui. Além das televisões TV Independência (Rede Manchete) – Canal 7, TV Iguaçu (SBT) – Canal 4, TV Educativa do Paraná, Jornal do Estado, revistas Carreteiro, Caminhoneiro, Carga Pesada, AutoData, Jornalto, Estrada Fora (Lisboa, Portugal) e na Volvo do Brasil.


Cobriu quatro Copas do Mundo de Futebol (Itália, Estados Unidos, França e Alemanha para vários veículos de comunicação do Brasil e da Polônia.


Também foi professor universitário das universidades UEPG, PUC-PR e Tuiuti.


Autor dos livros “Saga dos Polacos: a Polônia e seus emigrantes no Brasil”; “Revelando o Contestado: imagens do mais sangrento conflito social do Brasil nas lentes do sueco Claro Jansson”; “Polaco: identidade cultural do brasileiro descendente de imigrantes da Polônia”, “Sepultados em Harmonia”, “Escrevendo para falar no Rádio”, “Saci”, “Lublin com Amor”, “José Maria Santos – arteiro do Paraná”, “Cruz Machado – lenda virou história”, e está escrevendo “Polacos do Brasil – a etnia em números e sobrenomes” e “Monte Alegre – a trajetória histórica de um lugar”.


Dirigiu e produziu 15 filmes documentários, entre eles, “Auschwitz Birkenau – cemitério sem tumbas” (curta); “Padre Penalva – mestre da música” (longa); “José Maria Santos – arteiro do Paraná” (longa) e “Procurando Cris McClayton” (longa).


Como ator foi protagonista em 31 peças de teatro (sendo três, na Polônia atuando no idioma polaco), além de 8 filmes e uma telenovela (Ana Raio e Zé Trovão).
Mantém o mais antigo e duradouro blog sobre a Polônia e os polacos em idioma português, na Internet, desde 2005.

www.iarochinski.blogspot.com

Album Fotográfico

Na novela “Ana Raio e Zé Trovão” da TV Manchete como ator, ao lado do diretor Jaime Monjardim e a atriz Ingrid Liberato.
Coordenador geral do Programa Volvo de Segurança no Trânsito
Correspondente Internacional da TV Band, no Parque Blonia, em Cracóvia, na missa campal celebrada pelo Papa Bento XVI em sua primeira visita a Polônia como Pontífice.
Correspondente Internacional, diante da Cúria Metropolitana de Cracóvia, na Polônia, durante o luto pelo Papa João Paulo II, para a TV Band
Dois dos livros mais vendidos de Ulisses Iarochinski. Saga dos Polacos está completando 20 anos de vendas, e Polaco completa 10 anos de vendas em 2020. São referências bibliográficas de centenas de teses e dissertações
Cartaz de um dos documentários de Ulisses Iarochinski
No teatro, no personagem Mané Gorila da peça “Invasão” de Dias Gomes, com direção de José Maria Santos. Na foto estão ainda Marise Spyniewski e Viviane Santos, do grupo TETEF da ETFPR.
Na peça “Pequenos Burgueses” de Máximo Gorki, com direção de José Maria Santos, do grupo TETEF da Escola Técnica Federal do Paraná, hoje UTFPR. Da esquerda para direita: Cley Scholz, José Maria Santos, Claudete de Oliveira, Lorival Gipiela e Ulisses Iarochinski.
Aos três anos de idade, em Harmonia – Monte Alegre, Telêmaco Borba
A pintura é outra área de interesse de Ulisses Iarochinski. Este quadro em óleo retrata o grande lago da Suécia, na cidade de Vadestena.
O ator Ulisses Iarochinski interpreta aqui o poema de Bertolt Brecht “Aos que vão nascer”. Vídeo contemplado pelo edital da Fundação Cultural de Curitiba.

Foto atual de Ulisses Iarochinski

Correspondente da Rádio Cidade AM de Curitiba no ano de 1981, redigido e apresentado por Ulisses Iarochinski.

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