A versão de Ney Braga sobre a briga com Paulo Pimentel nos anos 1970

Ney Aminthas de Barros Braga foi prefeito de Curitiba, deputado federal, senador e governador. Foi também ministro da Agricultura, ministro da Educação e presidente da Itaipu Binacional. Morreu em 06 de outubro de 2000. Nesta conversa ele fala sobre a briga política dos anos 1970 no estado, entre ele e Paulo Pimentel, a quem tinha apoiado para o governo paranaense.

 

 José  Wille – Porque o senhor decidiu apoiar a candidatura de Paulo Pimentel, que era seu secretário da Agricultura?
Ney Braga – Vários secretários meus eram dele e trabalhavam para ele. Ele foi lançado pelo Aníbal Cury muito antes do período. E depois, na convenção do PDC, nos testes todos, nós vimos que o Paulo ganharia do Affonso, se ele fosse candidato.
José Wille – Não seria, a princípio, seu candidato, mas o senhor viu que ele tinha potencial?
Ney Braga – Eu não tinha candidato, mas via o potencial do Paulo crescer. E, quando senti esse potencial, fui ao PDC defender a candidatura dele. Fizemos uma convenção extraordinária no Teatro Guaíra e ali o Paulo ganhou a convenção, foi candidato e ganhou a eleição, com meu apoio absoluto, total e realmente muito forte.
José  Wille – Para dar continuidade, ele ganhou força como homem de comunicação, rádio, televisão e jornal, e, mais tarde, ele teve um distanciamento político de seu grupo. Como o senhor recebeu isso? 
Ney Braga – Muito bem. Ele era Costa e Silva e eu, Castello. Aí, nós nos separamos um pouco. E ficamos assim por algum tempo. Eu me dou bem com ele.
José  Wille – Mas foi um período difícil de afastamento político para o senhor?
Ney Braga – Não foi difícil, não. Eu era candidato ao Senado; depois senador. Ele trabalhou para ele e eu trabalhei para mim. Não houve dificuldades maiores, não.Cada um seguiu com o seu trabalho, sem perturbar um ao outro. Houve só uma mudança de canal: ele tinha o canal da Globo, e o Canet queria que o canal passasse para outro. Conversamos com o presidente Geisel, e o Paulo ficou com o canal do Sílvio Santos e o Francisco Cunha Pereira, com os amigos, companheiros e sócios dele, ficou com o canal da Globo. 
José  Wille – Na sequência, Paulo Pimentel acusou o senhor de retaliação política?
Ney Braga – Não foi retaliação, absolutamente. É que não havia outra solução. Inclusive a Globo queria também. Houve um sentimento geral nssa mudança. Mas não houve retaliação, porque não havia razão nenhuma para retaliar o Paulo, pois ele não me retaliou. 

 

 

 

 

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