Como Erondy Silvério virou empresário

Erondy Silvério, já falecido, contou ao programa “Memória Paranaense” como virou empresário. Criado em orfanato, foi cobrador de ônibus e motorista. E depois montou sua própria empresa. Com habilidade como articulador político, exerceu sete mandatos de deputado até 1994. 
 José Wille – O senhor teve uma empresa de ônibus, que começou com apenas um pequeno ônibus, ainda precário, que o senhor mesmo dirigia.
Erondy Silvério – Era carro de lotação, para doze passageiros. O transporte era primitivamente da Companhia de Força e Luz, um grupo canadense multinacional. E eles tinham o transporte como ônus, porque o filé mignon do negócio era geração e fornecimento de energia elétrica. E como o ônus era o transporte coletivo, eles conseguiram transferir esse ônus para um cidadão chamado Aurélio Forsato, já falecido. Ele ficou com a exclusividade do transporte de Curitiba. Mas foi infeliz na compra de alguns ônibus, que eram excedentes de guerra. No que terminou a Segunda Guerra, ele comprou esses ônibus, que não eram de boa qualidade. Então, o transporte foi se deteriorando, se deteriorando, e a prefeitura lançou o transporte de lotações como transporte supletivo – que acabou tornando-se o transporte principal.
José Wille – Nesse momento, como foi possível para o senhor comprar o seu primeiro ônibus? O senhor viu a oportunidade e resolveu investir?
Erondy Silvério – Eu vi a oportunidade e resolvi investir. Depois disso, o Ney Braga chamou os donos de lotação e deu um prazo de noventa dias para organizarem a empresa, porque realmente o transporte em lotações era aviltante para a população. Em um veículo com capacidade para doze passageiros, transportavam-se trinta, quarenta. Chegava feriado ou fim de semana, o dono de lotação resolvia ir ao futebol ou ir pescar e caçar e não tinha ônibus. Então, o Ney Braga acabou com aquilo. Quando foi eleito prefeito de Curitiba, ele acabou com aquilo, mas sem abandonar – o grande espírito do Ney Braga, que eu admiro até hoje – os ônibus que sustentaram o transporte em uma hora difícil.
José Wille – Foi ele quem deu a oportunidade para essas pessoas se organizarem?
Erondy Silvério – Deu a oportunidade de se constituírem empresas. E eu, como secretário do Sindicato dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários, organizei diversas empresas. Mas uns não acreditaram e acabaram desistindo do negócio. Restaram três: Auto Viação Nossa Senhora da Luz, Auto Viação Marechal e Auto Viação Água Verde.
José Wille – Todas constituídas por vários sócios, donos das lotações que montaram as empresas, como foi o seu caso?
Erondy Silvério – Daí esse consenso que há hoje na população: “O Erondy é milionário”, “O Erondy é dono do transporte coletivo”. Não! Dono do transporte coletivo é o Goulin. Milionário é ele, que tem hoje 60% do transporte! Essa empresa Auto Viação Nossa Senhora da Luz tem dezesseis sócios. A Auto Viação Marechal tinha dez. A Auto Viação Água Verde tem nove. Eram os donos da lotação.
José Wille – O senhor tinha sociedade em uma delas?
Erondy Silvério – Em uma delas, com partes iguais, com capitais iguais entre cada sócio.

 

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